Desde os
tempos da Igreja Primitiva, a humanidade enfrenta uma desigualdade social
discrepante, onde a sociedade é dividida por classes e um dos fatores
primordiais para essa classificação é o fator financeiro. Com essa divisão
sócio-econômica, fica evidente que estas diferenças vão muito além de recursos
financeiros, mas constata-se também um déficit nos quesitos de seguridade
social (previdência, assistência social e saúde). No Brasil, para grande parte
da população, muitos direitos garantidos pela Constituição da República
Federativa do Brasil, não saem do “papel”, tendo como causa, indivíduos que
vivem em condições deploráveis a margem da sociedade.
Mas o que a
Igreja de Cristo tem haver com isso? Tudo! Em diversos momentos da História da
Igreja, desde o início dos tempos, observa-se que Deus tem uma grande
preocupação com os menos favorecidos, orientando aos demais que cuide um dos
outros (Lv 19.9,10). Durante muitos anos, a Igreja foi imprescindível para o
equilíbrio da economia, onde a mesma se responsabilizava em suprir algumas
necessidades de pessoas em situações de vulnerabilidade social.
“Não
perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomará em penhor a roupa
da viúva... Quando no teu campo colheres a tua colheita, e esqueceres um molho
no campo, não tornará a tomá-lo; para o estrangeiro,
para o órfão, e para a viúva será; para que o Senhor teu Deus te abençoe em
toda a obra das tuas mãos. Quando sacudires a tua
oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; para o estrangeiro,
para o órfão, e para a viúva será. Quando vindimares a
tua vinha, não voltarás para rebuscá-la; para o estrangeiro,
para o órfão, e para a viúva será.” Dt 24.17-21
No Novo Testamento, Jesus retomou profundamente a importância da preocupação com os menos favorecidos. Em uma época onde a religiosidade havia se estabelecido, o Senhor exortou a cerca das motivações que se distanciavam do propósito original da caridade. Ele ensinou que toda a ajuda destinada a alguém deveria ser movida de amor, com humildade e desinteresse em recompensas (Mt 5.7; 6.1-4; 7.12).
Durante a Reforma Protestante, Calvino e Lutero se empenharam a desfazer degraus que separavam o Clero e os Leigos, os Ricos e os pobres. Eles combateram com veemência, os privilégios da nobreza e a marginalização do proletariado. Os reformadores ensinaram novas éticas no trabalho, ressaltaram a importância da educação, contribuindo então para melhores condições de vidas fossem disponibilizadas a sociedade. Nesse período, também foi reforçado o fato de que a Igreja é a agencia de Deus na terra (Missio Dei), possuindo então uma grande responsabilidade social.
Ao observar a igreja de hoje, percebemos que poucos estão realmente preocupados com o que acontecem do lado de fora das paredes do Templo. Muitos praticam ações sociais, com interesses em status sociais e/ou até mesmo para benefícios próprios, como por exemplo, deduções no IR. Outros oferecem ajudas, simplesmente por obrigação, sem um coração voluntário.
Grandes projetos de evangelização são realizados, a expectativa de transformação na vida espiritual dos indivíduos é notável, mas não se pode ignorar o fato de que o ser humano é tricotômico, possui corpo, alma e espírito e ambas as partes precisam de auxilio. Cristo trouxe a mensagem de salvação e remissão de pecados, mas também curou os enfermos, alimentou os famintos e restaurou a dignidade de pessoas desprezadas pela sociedade (Lc 8.48, Lc 14.19, Jo 4.9).
A Igreja precisa se pronunciar, tomar posição ativa contra os problemas da modernidade como, desigualdade social, desemprego e desestruturação do núcleo familiar. É necessário buscar uma ação reformadora que visa contemplar o ser humano como um todo, resgatando sua dignidade social e como filho de Deus (Lc 15.24).
Elizama Martins Januário
